
Estou confuso!
Se lembra daquele relógio de madeira,
antigo que cantava com um cuco,
que você odiava tanto...
Eu cansei de jogar a culpa nele,
até o destrui na noite passada...
Junto com aquele maldito abajur vermelho.
Culpei a maçaneta branca e grande da porta,
aquela que me mandou tirar...
aquela que me mandou tirar...
A camisa de seda, social,
a calça de boca larga,
a calça de boca larga,
meu cordão com um pingente abstrato... Culpei todos eles.
O quadro que eu tanto amava,
ele é culpado, você odiava ele...
Esta misturado às cinzas da lareira que você também não gostava.
Parei de falar tão alto,
culpei a minha voz,
quantas vezes você reclamou disso,
ela é culpada!
Até meus abraços de surpresa,
culpei meu suor,
você fazia pose de nojo quando eu te abraçava suado,
meu suor tem culpa.
Tudo você odiava!
Tudo...
Tudo tem culpa pra você,
e só eu não percebi,
e só eu não percebi,
que a verdadeira culpada
era sua coragem de fingir amar
por tanto tempo
aquelas coisas que no fim
você confessou odiar!















